quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A imposição do poema



Dissimulado, 

Inútil, o poema 

(João Carlos Taveira)


compõe disfarces: 
armada a cilada, 
preparado o bote, 
o poema primeiro dorme, 
descansa seu corpo 
de éter, sua alquimia, 
na primeira pedra, 
ao menor descuido, 
para depois, 
ágil e confiante, 
estabelecer-se inteiro 
na superfície rasa 
do papel vencido.




o poema se impõe: 
aceso o coração, 
iluminada a rua, 
o poema dá as caras 
nas frestas da janela, 
põe as manguinhas de fora, 
cospe no prato 
e, atrevido, 
vai realizando, 
meio tonto, meio sonso, 
sua esfinge de cal, 
sua natureza de vento, 
sua estrutura de nada.

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